As viagens de Sportster

As minhas viagens de moto sempre tiveram relação com o livro de Robert Pirsig, "Zen e a arte de manutenção de motocicletas".

Quem não leu, leia, ainda mais se anda de moto. Não, ele não tinha uma HD, tinha uma Honda bicilíndrica de 305 cc. Há diversas fotos da viagem aqui e links aí ao lado. Coisa de maluco.

As viagens acontecem tanto no mundo material quanto na mente de quem viaja. E com muita intensidade na mente de quem viaja de moto. Só quem já viajou de moto sabe. De HD, então, nem se fala.

Bom, o resto está aí embaixo.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

26/12/2007 - Ainda Buenos Aires e H-D Bue

É uma cidade delirante, realmente.

São 3 milhões de portenhos. A cidade tem alguns dos melhores restaurantes do mundo, sorveterias fantásticas, parques e praças que não acabam e, provavelmente, um dos piores trânsitos do mundo.

Acho que nenhum portenho se daria mal no trânsito de Cingapura. Os caras passam por cima de você sem a menor cerimônia. Saem da direita pra esquerda - vice-versa - com a maior naturalidade, sem seta, sem nada. Não há muitos motoboys por aqui, acho que foram todos mortos. A gente anda com o maior cuidado, sempre acelerando forte pra ser ouvido e pra escapar dos acidentes.

Fomos à H-D de Bue hoje, trocar o óleo e, no meu caso, também o filtro!

Gente, que PUTA diferença!!! O dono, Juan Gabba, e sua esposa, a Silvana, atenderam-nos pessoalmente (adoraram o adesivo da "Fuck Izzo", tiraram até foto!).

Filtro de óleo original H-D: US$ 12.00. Troca do óleo, filtro, camiseta da H-D Bue: 90 pesos, US$ 30.00. Serviço demorado, como deve ser, pra esgotar o óleo velho, verificar assento do filtro, etc. Conversamos com o Juan e sua esposa por mais de uma hora.

O Rodrigo, que caiu um leve tombo em Mendoza, tentou trocar a manete esquerda e a manopla (Harleys sempre caem pra esquerda...), além de arrumar o comando do câmbio, que também foi danificado (a dele é Custom, tem comando avançado). Descobriu que a loja tem uma feirinha de peças usadas. Comprou um jogo de manoplas originais, belíssimas, na embalagem, por US$ 80.00.

Os caras da oficina trocaram a pedaleira do câmbio por US$ 16.00 e não cobraram o serviço. Aí, ele resolveu trocar o banco horroroso da Custom por um mais confortável. O banco novo - não tinha usado na loja - custava uS$ 530.00. Tava difícil. O Juan deu um jeito: comprou o banco original dele por US$ 200.00, pagou US$ 330.00 no novo! Saímos de lá com a certeza que uma administração competente da própria H-D no Brasil seria uma maravilha.

Almoçamos no Sucre, almoço de despedida, restaurante da moda, muito bom e, pra nós, barato. À noite, empanadas no Carlitos, na Recoleta, uma das melhores empanadas da Argentina.

Amanhã, de volta ao Brasil! Mas, estamos com um problema: a Argentina está brigando com o Uruguai por causa de uma fábrica de celulose. As pontes sobre o Rio da Prata fecham e abrem aleatoriamente. O barco que faz a travessia até Colonia del Sacramento ou Montevideo, por conta disto, está lotado. Foi um imprevisto e o esperto aqui não tinha comprado as passagens com antecedência. Tá tudo cheio.

Amanhã madrugamos no porto pra tentar dar um jeito e colocar as motos a bordo. Se não, uns 600 km a mais na viagem.

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