As viagens de Sportster

As minhas viagens de moto sempre tiveram relação com o livro de Robert Pirsig, "Zen e a arte de manutenção de motocicletas".

Quem não leu, leia, ainda mais se anda de moto. Não, ele não tinha uma HD, tinha uma Honda bicilíndrica de 305 cc. Há diversas fotos da viagem aqui e links aí ao lado. Coisa de maluco.

As viagens acontecem tanto no mundo material quanto na mente de quem viaja. E com muita intensidade na mente de quem viaja de moto. Só quem já viajou de moto sabe. De HD, então, nem se fala.

Bom, o resto está aí embaixo.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

02/01/2008 - Venceslau Brás - Ribeirão Preto

Último trecho da viagem!

Saímos por volta de 9:00 h da manhã, tempo bom, em direção ao estado de SP, Ourinhos a 120 km de distância.

Asfalto excelente neste trecho, exceto por uns 40 km após Ourinhos. Depois, só tapete.

Chegamos a Ribeirão Preto por volta de 15:30 h. É bom voltar, mas eu ficaria na estrada mais um mês, pelo menos.

Vimos muita coisa, passamos por algumas situações difíceis (mas não muito), divertimo-nos bastante, já estou pensando na próxima.

Alguns comentários sobre a viagem:

Consumo

No Brasil, com nosso combustível (seria demais chamar isto de gasolina...), a moto chega a fazer 23 km/l. Depende da tocada, mais velocidade, mais consumo. A 120 km/h, faz 20,5 km/l, consistentemente.

Na Argentina, onde há 3 tipos de gasolina, 82 octanas, 92 octanas e 96 octanas (pra avião nenhum por defeito...) o consumo de minha moto, carburada, aumentou. Não passou de 19 km/l. A moto do Rodrigo, injetada, adaptou-se rapidamente à gasolina e manteve consumo estável de 23 a 24 km/l. Meu consumo melhorava com a gasolina de menor octanagem, mas é difícil encontrá-la por lá.

Manutenção

Nenhuma, exceto calibrar pneus, trocar o óleo e o filtro. Os únicos parafusos apertados foram do parabrisas, que estavam um pouco frouxos.

Grana

Na presente data, a Argentina é bem mais barata que o Brasil. Gasolina a R$ 1,50 / l, hotéis baratos (exceto Buenos Aires, devido ao período de Natal), comida barata. Ainda não fiz o levantamento de meus gastos, mas, como dizem, orçamento são aqueles 10% do custo total.

Estradas

Há uma correspondência muito grande entre nossas estradas e as argentinas. temos trechos excelentes e trechos muito ruins. No Chile, no pequeno trecho que rodamos, o piso era bem melhor que na Argentina.

Autonomia da moto

É o único senão da Std. A autonomia é pequena e, por duas vezes, fiquei no limite do tanque. Há menos postos na Argentina que no Brasil.

O que eu levaria e o que eu não levaria em uma próxima viagem

Levei meias de algodão demais. Levaria menos delas e mais daquelas de alpinismo, que retiram o suor dos pés. Bermuda de ciclismo, aquelas com gel: levaria pra usar embaixo da roupa de estrada. Além do gel, a vantagem é que ela não puxa os pelos das pernas.

Não levei capa de chuva, levarei na próxima viagem. Às vezes chove quando você está em alguma cidade, quer sair pra jantar e só tem, impermeável, a tranqueira da roupa de viagem.

Luvas: levei dois pares, um light, ventilado, da G-Tech e outro impermeável, Alpine Stars SR-3. O problema das luvas G-Tech é que as bainhas são curtas e deixam um espaço entre a manga da jaqueta e a luva. Resultado: se estiver sol forte, seus braços ficarão queimados de sol no tal espaço. Filtro solar ajuda, mas não resolve. As SR-3 são melhores, cobrem a jaqueta e não são tão quentes assim. Levaria só elas.

Equipamento

A roupa da Zebra é boa, já viagei bastante com ela. Há melhores, mas esta é bem econômica. Em outra viagem de verão, talvez levasse uma jaqueta com proteções, não impermeável, bem leve, colocando a capa de chuva por cima, em vez da jaqueta "normal" de viagem.

As botas da Nômade são excelentes. Não entra nada de água. E são muito, muito confortáveis, além de terem proteção no solado que diminui o risco de torsões no pé.

Capacete HJC: excelente, sem qualquer reparo. Alforje em couro da Rider Classic (ouvi dizer que a fábrica fechou, uma pena): excelente, espaçoso, resistente, voltou novo como foi.

Amortecedores FAR: não teria chegado tão inteiro sem eles. Grande conforto, segurança, estabilidade. Cabos de vela de silicone: já estão na moto há quase um ano, excelente relação custo/benefício. Sou suspeito pra falar dos sissy bars/bagageiros que fabrico. Eu e o Rodrigo os usamos sem qualquer problema. Ponteiras: idem. Também ajudam a ficar visível, principalmente no caótico trânsito de Buenos Aires (lá não tem muito moto-boy, acho que já mataram todos).

Parabrisas da Motovisor: excelente aerodinâmica e produto de qualidade. Ajuda muito na estrada, o meu deve ter coletado uns 4 bilhões de insetos.

Pneu traseiro Pirelli: vale cada centavo do preço. Confortável, estável (mais que o Bridgestone), gruda muito, durável. Na frente tenho o Bridgestone, que tem uma excelente relação custo/benefício (os Dunlop originais, na frente ou atrás, são um lixo - cansei de ver o Rodrigo frear forte e os pneus dele, originais, derraparem).

Lâmpada Motovisor da Philips: o farol é ruim, a lâmpada não faz milagres, mas é bem melhor que a original.

Pastilhas de freio sinterizadas: valem por um disco a mais, freiam com eficiência muito maior que as originais e a precisão é grande. Não volto mais pras semimetálicas nem pras orgânicas.

Agradecimentos

Há diversas pessoas a quem devo agradecer, talvez eu me esqueça de algumas, depois eu completo, vamos lá...

Mário, mecânico que cuida de minha moto, com responsabilidade
Pessoal da Wellness (academia aqui de Ribeirão) no geral e, em particular, a Carla (alongamentos e Pilates mat), a Fabiana Ricci (Pilates mat) e o Edu Visentini. Cheguei muito mais inteiro do que pensava graças a eles (uma carcaça de 49+ anos precisa de cuidados...)
Magnus Valente, a quem não conheço pessoalmente, mas que ajudou-me muito com algumas peças pra minha moto
Pessoal do Lhamas, uns pentelhos, adolescentes que jamais irão crescer (como eu), que motivam a gente
Juan Gabba, sua esposa e todo o pessoal da Harley-Davidson/Argentina
Alejandro, que tem aquelas maravilhosas cabanas em Lujan de Cuyo (Mendoza), ao pé dos Andes, e que sabe ser amigo de seus hóspedes
Viviana, nossa amiga, que tem uma agência de viagens em Buenos Aires
Fabiano, Lhama que nos deu suporte em Floripa
Sílvio, Lhama mestre do Photoshop, que não pôde participar devido a problemas com o Linguizzo, mas foi até Floripa nos encontrar
Colegas da Equipe 31, da Sefaz, que, indiretamente, ajudaram muito nesta viagem
Rodrigo, meu companheiro na viagem
A todos os amigos que me incentivaram e deram força pra que esta viagem acontecesse
E, claro, à Jackie, a Patroa, que sempre me incentivou e participou

01/01/2008 - Florianópolis - Venceslau Brás

Saímos por volta de 11:00 h de Floripa, em direção a Curitiba e depois ao norte paranaense, entrando no estado de SP por Ourinhos, para evitarmos a Regis Bittencourt com seu trânsito maluco e o péssimo asfalto.

O Reveillon foi legal, na praia de Jurerê. Fomos dormir cedo, pra encarar a estrada descansados.

Ao sairmos de Floripa, uma Fat Boy juntou-se a nós. Após percorrermos uns 120 km de trânsito pesado, como motoboys de Sampa, paramos em um posto e o Jackson, da Fat B0y, apresentou-se. Ele é de Curitiba, tem moto há 32 anos, há 15 não sai da linha Harley. Disse que o pessoal do HOG de lá é bem bacana. Subimos a serra juntos e deu pra ver que a Sportster deixa qualquer outra H-D pra trás nas curvas. Nas retas, o motor 1600 da Fat Boy compensava.

O Jackson tem casa em Jurerê e nos deu duas dicas: reveillon no Iate Clube da Lagoa e o bar Armazém, perto do aeroporto de Floripa, onde o pessoal de H-D se reúne. Na próxima ida pra lá, quem sabe no Carnaval, a gente passa por lá.

Despedimo-nos em Curitiba e seguimos para o norte paranaense. Asfalto excelente até 60 km antes de Venceslau Brás. Aí, complicou. Asfalto MUITO ruim, chuva forte (que nos acompanhou desde Curitiba), noite... Chegamos um pouco cansados a Venceslau Brás, conseguimos um hotel, comemos uma pizza e fomos dormir a última noite da viagem.

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